As três grandes dúvidas da humanidade sempre foram: Quem sou? De onde vim? Pra onde vou? As minhas são basicamente as mesmas… estão na raiz de todas as outras, e são muitas essas tais. Quem sou? De onde vim? Brasileiro, 47 anos, nascido em 11/04/1958 (parece que foi ontem!), no Bairro de Icaraí, em Niterói, RJ. Tempo bom aquele, os biscoitos eram vendidos em latas que ficavam expostas nas mercearias em plena Moreira César e eram comprados a peso, o leite e o jornal eram deixados no portão das casas. A molecada brincava nas ruas, muitas das quais ainda nem eram pavimentadas, com a maior tranqüilidade. Pique esconde; Bandeirinha; Taco; Polícia e Ladrão (tem gente que assumiu o papel que tinha na brincadeira e vive nele até hoje…); Pêra, Uva, Maçã e Salada Mixta (ainda bem que tem gente que assumiu o papel que tinha na brincadeira e vive nele até hoje!!! Hehehe). Quando tinha 11 anos ganhei do meu pai uma Velo Solex, interface entre bicicleta e motocicleta que, graças àquelas muitas ruas ainda sem pavimentação, me proporcionou os primeiros tombos motorizados. Acho que tomei gosto. Ela me levava ao Clube onde comecei meus primeiros passos no Iatismo. Pingüim, que barquinho gostoso de se velejar e quantas regatas corri naquela época, depois de detonar um "Veleiro" no restaurante do Clube. A rotina nos finais de semana era deliciosa, preparar o barco pra ir pra água, "Veleiro" de carne ou frango no restaurante, regata que tomava toda a tarde e depois desmontar e guardar o barco. Isso mantinha sob controle o fogo do moleque que encarava a semana de aulas na maior tranqüilidade. Caça sub era a pedida quando não estava velejando. Tempo bom. Aos 15 anos fui morar em Brasília, nova cidade nova, novos amigos e sonhos, a música chegou nessa época, junto com a aquariofilia, o mergulho em água doce, e foi ficando. Flauta e voz eram a base para compor. As férias ou eram no nordeste ou no Estado do Rio e numa dessas , em Iguaba Grande conheci um pessoal de Sampa, galerinha de primeira, Mauricio e Ricardinho tocavam um violão redondo, fizemos muito som na Região dos Lagos. Quando voltei a morar em Niterói já foi com um violão a tiracolo. Tempo bom. De volta, conheci figuras incríveis do cenário musical da cidade, na época. Veríssimo, Dorani, Neném. Fizemos muitas noites nos palcos de Nichty. Casarão, Xereta, Toca do Siri, Gordão. A Banda de Lelei, que tocava todos os sábados no Sarava e onde eu e Veríssimo fazíamos back vocal. Tempo bom. Daí vieram o emprego estável, o casamento, minha filha e um total afastamento da música, menos como ouvinte, a esse ponto nunca consegui chegar. Os Enduros de Regularidade de Motocicleta foram a "bola da vez" até o nascimento da minha princesinha. Dez anos de sossego vieram pela frente. Tempo bom. Acabou o casamento, veio o segundo, e a música que tava la, quetinha começou a querer aflorar novamente no contato freqüente com a família da minha segunda mulher. Mas foi só um pequeno flerte, a reconciliação ainda ia demorar um pouco. Tempo bom. Quando terminou o segundo casamento é que a música resolveu se chegar de vez, devagar mas decidida. Voltei a brincar com o violão. Algumas pessoas, talvez sem ter noção do que estavam fazendo, me incentivaram muito nessa ocasião, até que em julho de 2003 tive que me afastar do instrumento novamente. Chutei o pau da barraca e fui morar a bordo do meu veleiro, o Ban Ban, um Atoll 23, no Jurujuba Iate Clube. A umidade e a temperatura a bordo, juntamente com a maresia não me permitiam ter o violão a bordo. Foi quando um grande amigo, o Guto, me levou a um Videokê Bar. Lá, redescobri o prazer de cantar em público. Freqüentei quase dois anos aquele bar. Comecei a voar de parapente por essa época, delícia tirar os pés do chão e subir com as correntes de vento ascendentes, flutua-se como a mente flutua numa harmonia bonita.Tempo bom. No início de 2005 voltei a viver em terra, em Itaipu (Niterói), comprei mais dois violões e comecei a relembrar as coisas que tocava e a tirar músicas novas, até que em princípio de maio um acidente de motocicleta fez aflorar lesões, que já possuía latentes, nos punhos as quais tem me impedido de tocar. Mas cantar, já não dava mais pra ficar sem. Por causa dessas lesões também, fiquei um bom tempo afastado do trabalho. Não sou de ficar parado e pensando nas alternativas que tinha, sem forçar os punhos, a música sempre me vinha em mente. Uma grande amiga, cantora profissional, a Hanna, não cansava de por pilha: - Nilo, volta… E eu cheio de dúvidas (todas com as três lá do inicio na raiz… rs), até que um dia disse a ela que não voltava porque estava inseguro, afinal foram cerca de 20 anos afastado. Então ela disse, "ta inseguro? Faz aula!", aquilo caiu feito uma luva. Ela ligou pra um amigo, professor de canto e no dia seguinte, lá estava eu fazendo minha primeira aula. Tempo bom. Os próximos passos foram, montar equipamento, começar a cantar em casa, pensando em estrear, subir num palco como profissional novamente. Nisso lá vem a Hanna de novo… Sem a ajuda dela não teria montado o equipamento que montei, nem conhecido as pessoas que conheci. Dentre elas Xandy Bussay, tecladista, arranjador, compositor do mais alto nível. A simpatia foi imediata e a amizade vem crescendo a cada dia. Tenho uma amiga que diz que amigos a gente não encontra, amigos a gente reconhece. Tenho reconhecido alguns ultimamente. Tempo bom. Dessa amizade com o Xandy surgiu um trabalho que estreou dia 10/03 no Restaurante Sabor de São Francisco, no segundo piso do Lido Center, na Praia de São Francisco em Niterói e alguns projetos que estão amadurecendo. Tempo bom. Bom, isso responde mais ou menos de onde vim e quem sou eu, comigo não tem tempo ruim… (já deve ter dado pra notar… Fique ligado no blog, cadastre-se na mailling list e fique atualizado sobre a direção que os ventos estão soprando e quais os próximos pousos e piers que vem ai pela frente. Um grande abraço e paz pra todos nós. Nilo
). Agora, pra onde vou? Não faço a menor idéia, mas com certeza, muita coisa nova e interessante vem por ai.